Ele é minha maior dádiva e maldição; um fragmento da mortalidade que perdi, carregando minha essência enquanto caminha entre dois mundos.

Nome Completo: Elion Romanus Ritzel
Ano de nascimento: 2015
Espécie: Humano
Filho de Miera Ritzel Morningstar e Neera de Romanus Ritzel

A Sombra de Roma: O Filho Proibido de Neera

Nas noites mais escuras, quando a lua mal se atrevia a surgir entre as nuvens densas, Roma guardava seus segredos mais profundos. Neera caminhava pelas vielas, envolta em sombras, o rosto frio e inexpressivo como o mármore que adornava as ruínas antigas. A cidade pertencia a ela em silêncio. Desde que abraçou a imortalidade e o poder do clã Giovanni, Roma se tornara sua arena de joguetes cruéis.
Mas agora, uma nova centelha ardia dentro dela. Algo inesperado, até mesmo para Neera, que raramente se deixava envolver por fraquezas mortais. Não era amor, não por enquanto, mas uma nova curiosidade, um desejo distorcido de criação. Sua esposa havia mencionado, entre sussurros, a ideia de uma "família", algo a ser moldado ao seu bel-prazer. A ideia de um filho as fazia rir — era impossível, claro, considerando suas naturezas amaldiçoadas.
Naquela noite, Neera não estava sozinha. Caminhava acompanhada de uma criatura que parecia pertencer mais ao mundo das trevas do que ao dos vivos. Um demônio, servo leal de sua esposa, seguia-a como uma sombra viva, sua presença deformando o ambiente ao redor, fazendo as paredes tremerem e o ar se tornar pesado. A criatura movia-se de forma distorcida, com uma forma apenas semi-humana, pronta para obedecer cada comando de Neera com a devoção que só os servos do inferno conhecem.
O plano era simples. Neera passara semanas observando uma família mortal nas margens de Roma. Um menino — Elion, de nove anos — era o alvo de sua obsessão. Ele era tudo o que ela e sua esposa não podiam ser: vivo, cheio de energia, com uma inocência que poderia ser moldada. Ele seria o filho que ela não poderia ter.
A casa era modesta, cercada por vinhedos mal cuidados. O menino dormia em uma cama simples, sua respiração tranquila. O demônio espreitava nas sombras enquanto Neera se aproximava silenciosamente. Com um murmúrio em uma língua esquecida, ela fez com que a criança abrisse os olhos, sem medo, como se estivesse esperando por ela. Ele estendeu os braços, sem questionar, e ela o pegou. O toque frio de seus dedos não o assustou.
Mas ao sair da casa, algo que Neera não previra aconteceu. Na escuridão além dos vinhedos, uma pequena comitiva a aguardava. Membros de seu próprio clã, Giovanni, estavam de pé, envoltos em seus mantos, os rostos pálidos e severos. À frente, um ancião de olhar penetrante a encarava, seguido por outros três vampiros que pareciam inquietos. Ele deu um passo à frente, sua voz como aço afiado ao falar:
"Neera, você sabe que não pode levar essa criança. Ele pertence ao mundo dos mortais… e a outro."
Neera ergueu uma sobrancelha, mas permaneceu em silêncio, esperando pela explicação que certamente viria.
O ancião continuou, o tom mais baixo, mas carregado de advertência. "Elion já foi prometido. Vittorio reivindicou esse menino."
Neera sentiu uma pontada de irritação, seus lábios se curvando em um sorriso cruel. Vittorio — um nome que ela conhecia bem. Ele era um jogador importante dentro do clã, sempre envolvido em intrigas sombrias, movendo peças no tabuleiro do poder. Mas a ideia de que ele acreditava ter direitos sobre o menino provocava nela algo feroz. Ela apertou Elion com mais força, seus dedos afundando nas roupas infantis.
"Então, Vittorio pensa que pode brincar de deus com esse garoto?" - Ela perguntou, sua voz gotejando sarcasmo. "Interessante… mas eu cheguei primeiro."
Os outros vampiros ao redor do ancião trocaram olhares apreensivos, cientes de que aquela era uma batalha que não seria fácil. Eles sabiam que Neera não era do tipo que cedia, principalmente quando algo — ou alguém — já estava em suas mãos. E agora, com a criança em seus braços, o risco era grande demais.
"Neera," - O ancião continuou, sua paciência visivelmente se esgotando, "Você sabe que isso não é uma questão de quem chegou primeiro. Vittorio tem planos para ele. Ele o criaria para ser uma ferramenta poderosa dentro do clã, algo que nos beneficiaria. Devolva-o."
Neera deu uma risada baixa e seca, um som que fez até o vento parar por um momento. O demônio ao seu lado rosnava, as garras prontas para rasgar a qualquer sinal de confronto. A tensão era palpável, como uma corda prestes a se partir.
"Planos?" Neera repetiu, o tom carregado de desprezo. "Vocês falam como se tivessem algum controle sobre mim…" - Ela deu um passo à frente, aproximando-se do ancião, os olhos brilhando com a fúria contida. "Deixe-me ser clara: esse menino agora é meu. Vocês acham que Vittorio tem algum direito sobre ele? Ridículo. Se qualquer um de vocês ousar tocar em mim, ou interferir nos meus planos, saibam disso—nem eu vou conseguir segurar minha esposa quando ela souber que vocês ousaram se meter."
Os Giovanni hesitaram. A menção à esposa de Neera era suficiente para semear o medo. Ela era uma força de destruição pura, um ser cujos poderes infernais superavam até mesmo os mais antigos entre eles. E o demônio ao lado de Neera, a criatura disforme e ansiosa por sangue, era apenas um vislumbre do que ela poderia trazer para o mundo.
O ancião tentou se recompor, mas o medo era evidente em seus olhos. "Você está brincando com o equilíbrio do clã, Neera."
"Vocês já estão mortos," - Ela disse friamente, aproximando seu rosto do dele, "Só que ainda não perceberam."
O silêncio que se seguiu era insuportável. O ancião deu um passo para trás, a derrota estampada em sua expressão. Ele sabia que não havia como vencer naquele momento, e o nome de Vittorio não era suficiente para sobrepujar o poder que Neera trazia ao lado dela.
"Isso não vai acabar aqui," - Ele murmurou, antes de se virar para sair, os outros o seguindo rapidamente.
Com a cidade novamente mergulhada em um silêncio reverente, Neera desapareceu nas sombras. Ela tinha vencido aquela batalha, mas sabia que a guerra com Vittorio, está estava apenas começando.